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A doença

229798_483376388351244_1534607492_nHerdada da Mãe, Antónia Lobo, que por isso faleceu, a neurastenia atravessa quase toda a vida de Florbela, manifestando-se, pela primeira vez, em 1907, aos dezassete anos, numa carta que escreve ao pai. No entanto, os primeiros indícios sérios fazem-se sentir em 1918, quando se muda para Olhão: perturbações, esgotamento, insónia e dores de cabeça (e, talvez, uma tuberculose por diagnosticar). Dois abortos involuntários, um nesse ano, e outro em 1923, contribuem para agravar o seu estado de saúde, levando-a a uma contínua melancolia, mas é o enorme desgaste emocional e psíquico causado pela morte do irmão que a torna numa mulher muito nervosa, atingida pela febre e fumadora inveterada. Ao mesmo tempo, o desentendimento com o terceiro marido concorre para precipitar o envelhecimento prematuro de que Florbela sofre.Em 1930, a neurose agrava-se e as insónias tornam-se difíceis de suportar, pelo que Florbela adopta o suporífero Veronal; com o terceiro casamento e a necessidade daí decorrente de se adaptar a novas normas sociais, a última fase da neurose desencadeia-se. Como já se vinha anunciando desde a morte do irmão, o desinteresse de Florbela pela vida vai-se acentuando progressivamente, ao mesmo tempo que a doença progride e a capacidade intelectual e o poder de comunicação declinam. Estranhamente, ou porque Florbela estava consciente do seu estado de neurastenia, deu esse título a um dos seus sonetos.

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